Abastecer além do travamento automático é prejudicial

Colocar combustível além da capacidade indicada compromete dispositivo que reaproveita gases evaporados no processo de combustão do motor

frentista abastecer

Os litros a mais após o travamento da bomba de combustível podem comprometer o bom funcionamento do carro. Montadoras costumam informar 10% menos da capacidade máxima do tanque de combustível. Mas, enchê-lo “até a boca” atrapalha o desempenho de um componente importante do veículo: o cânister. O cânister é uma peça em formato cilíndrico instalada entre o tanque de combustível e o sistema de admissão do motor e tem por objetivo filtrar vapores para favorecer a redução na emissão de gases prejudiciais produzidos durante a queima de combustível.

cânister 1Esse dispositivo é colocado na parte superior do tanque e ligado até o motor por uma mangueira que suga os gases gerados pelo combustível. Ao chegar ao cânister, os gases são filtrados e armazenados. Quando o motor necessita, o cânister libera esses gases para a câmara de combustão. No interior do cânister há carvões ativados, que são responsáveis pela filtragem dos gases. Se o tanque é completado além do travamento da bomba, corre-se o risco de entrar combustível e molhar o cânister, soltando os carvões ativados.

Se forem liberadas, as partículas de carvão podem acessar o motor e queimar na câmara de combustão. O carvão no motor pode chegar a riscar o cilindro do pistão ou queimar a cabeça do pistão. As montadoras costumam informar 10% menos da capacidade máxima do tanque de combustível justamente para evitar que o líquido chegue ao cânister.

Abastecer além do limite pode trazer problemas para o carro, para o meio-ambiente e prejudicar a saúde do frentista

O velho costume de encher demais o tanque prejudica o veículo e contribui para o aumento da poluição do ar, além de oferecer sérios riscos aos profissionais responsáveis pelo abastecimento nos postos de combustíveis.

combustiveis-frentistaA inclusão do cânister dentro do tanque de combustível passou a ser comum a partir de 1989, quando entrou em vigor a resolução 18/86 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), parte do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve). No cânister, os gases são filtrados e devolvidos para a atmosfera de forma adequada. Se inundado com gasolina em excesso, ou encharcado, ele não consegue tratar os poluentes que são liberados para o meio ambiente.

A gasolina contém benzeno, uma substância que pode prejudicar a saúde do frentista. O vapor do benzeno apenas se manifesta quando o limite da bomba não é respeitado. Para evitar esse tipo de problema, alguns estados como o Paraná, realizaram a campanha “Não passe dos limites”, com o objetivo conscientizar frentistas e a sociedade da importância de abastecer somente até o automático, e sobre os riscos que a exposição prolongada ao benzeno pode trazer.

 campanha_gasolina1O benzeno é uma substância tóxica, cancerígena, que pode causar aos frentistas problemas hematológicos como anemias, leucopenia – diminuição do número de glóbulos brancos – ou até quadros de câncer como as leucemias. Existe legislação sobre a exposição ocupacional ao benzeno, mas sem fiscalização rigorosa, acaba sendo deixada de lado, mesmo com todos os riscos.

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